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terça-feira, 24 de maio de 2011

PRENDAM O FACEBOOK


Fonte: Thomas L. Friedman, The New York Times in O Estado de São Paulo, 23/5/2011.

O genial Ben Schott decidiu construir um gráfico no The New York Times de domingo que é um primor de informação reduzida à sua essência. Ele compara o período de tempo que durou a presidência em diversos países do mundo de 1977 até 2011. Lá está o Brasil com seus 9 presidentes neste período, enquanto a Síria, por exemplo, tem o mesmo número que Cuba, China e a Coréia do Norte: 2. A Rússia e ex-União Soviética aparece com 5. Israel, para desespero de seus vizinhos, aparece com 10. A campeã, incrível, é a Líbia, em que o fascista de camelo do Kadafi aparece como único presidente em todo esse período de tempo. Não deixa de ser revelador que este reles ditador seja o Ideal do Eu de certa esquerda – é que ele conseguiu realizar a fantasia da imortalidade no poder. Pobre Fidel. Era para ser dele o troféu. Tadinho do velhinho. Mexeram no queijo dele.

Fonte: Ben Schott in The New York Times, 22/5/2011.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

INIMIGO DO POVO

“É o símbolo das revoluções” - China proíbe o jasmim – Proibida a venda e censura na internet: a flor virou uma fora da lei”
“Com medo da revolta, China cancela o jasmim – A repressão chinesa identificou seu último inimigo: o jasmim. Nos últimos dias, além da prisão de dissidentes, se acrescentou uma nova ordem da polícia: extirpar a cultivação da flor-símbolo da nação e proibir o comércio dos brotos que na China evocam harmonia e prosperidade”
Fonte: Giampaolo Visetti in La Repubblica, 12/5/2011.


Depois que o jasmim se tornou o símbolo da revolução na Tunísia, o governo chinês decidiu agir. A partir de agora, o nome “jasmim” está proibido. Foi extirpado da internet ao mesmo tempo que os bilhões de funcionários do Serviço Secreto, desde o dia primeiro de março, percorrem os mercados de flores do país inteiro para advertir os vendedores que o jasmim deve sair de circulação imediatamente. Queimem, enterrem, explodam os jasmins. É que, como diz brilhantemente Giampaolo Visetti, desta vez os comunistas chineses se depararam com um problema terrível. Eles não puderam aplicar em cima do jasmim aquilo que eles estão acostumados a fazer com as pessoas. Não puderam prendê-los nem torturá-los nem começar um processo de reeducação – o sonho do comunista chinês: ver um jasmim bater no peito e admitir sua culpa, andar de joelhos pelas principais ruas e avenidas da nação com uma placa nas costas, “sou um inimigo do povo”. Não puderam fazer com o jasmim o que estão fazendo com o prêmio Nobel da paz, Liu Xiaobo e com o artista Ai Weiwei: deixá-los atrás das grades até que confessem ser agentes do imperialismo ianque. Pobre China. O que será que eles vão fazer quando Gelsomina entrar em cena no magnífico A Estrada da Vida de Fellini? Alternativa a, vão mudar o nome dela para Chun? Chun? Espere, isso quer dizer primavera, primavera lembra flor e, desgraça, lá vem o jasmim de novo. Não serve. Alternativa b, vão colocar uma bola preta sobre a imagem dela e apagar sua voz – não existe mais essa personagem? Alternativa c, vão recolher todos os dicionários de italiano-chinês, para evitar a descoberta de que Gelsomina deriva de jasmim? Alternativa d, proibir todos os filmes de Fellini? Que patético fim para o comunismo. Jogo agora um buquê de jasmins sobre esse cadáver insepulto. Já vai tarde.

terça-feira, 10 de maio de 2011

MAIS-VALIA

Fonte: Érica Fraga e Claudia Rolli in Folha de São Paulo, 8/5/2011.

Como? Jornadas de trabalho longas, horas extras frequentes, teleconferências de madrugada, vigilância constante dos chefes, metas de produção irrealistas e inegociáveis? Mas os porcos capitalistas não eram os americanos?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

MARCO POLO

Uma tumba riquíssima em uma área de mais de 150 metros, com três níveis e mármores em Chengdu, província de Sichuan, China. Fotografia de Sim Chi Yin na reportagem de Sharon LaFraniere, “China Curbs Fancy Tombs That Irk Poor” [China reprime tumbas extravagantes que irritam os pobres] in The New York Times, 23/4/2011.

Para George Orwell

Todos são iguais. Alguns são mais iguais.


Fonte: The New York Times, 23/4/2011.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O ÚLTIMO CACHORRO

Selo comemorativo de Ajman, Emirados Árabes, pelo primeiro ser vivo terrestre a orbitar a terra, a cadela da raça Laika, à bordo da nave soviética Sputnik II, em 3 de novembro de 1958. Em 12 de abril de 1961, foi a vez de Yuri Gagarin realizar o primeiro voo tripulado por um humano.

“Assim como os chimpanzés e os vira-latas de rua de Moscou que foram para o espaço antes deles, Gagarin e outros astronautas antigos eram em parte uma carga experimental. Havia uma grande preocupação, tanto da agência espacial da União Soviética como da NASA, sobre as conseqüências fisiológicas e psicológicas desconhecidas do espaço e da gravidade zero. Elas seriam capazes de arrebentar subitamente a mente dos tripulantes? Será que a ausência de peso afetaria a visão e o sangue pararia de circular? Gagarin subiu para descobrir essas respostas.
Estranhamente, o primeiro homem a subir ao cosmos era um piloto habilidoso proibido de usar suas habilidades. Os controles da Vostok I estavam lacrados, a cápsula foi totalmente manobrada a partir do solo. Como Gagarin mesmo disse, “eu não tenho certeza se eu fui o primeiro homem no espaço ou o último cachorro”.
Fonte: Mary Roach, “In Space, Nice Guys Finish First” in The New York Times, 10/4/2011.

Na piada de Gagarin, a metáfora perfeita da Rússia comunista. Um homem ou um cachorro obediente, cachorro ensinado, cachorro controlado? O melhor piloto do mundo ou um reles serviçal do Estado, um súdito fiel, um sussurrador para sempre proibido de falar em voz alta? – a referência aqui é para o imprescindível “Sussurros” do grande historiador britânico Orlando Figes, publicado no Brasil pela editora Record. Durante o comunismo, sempre a segunda resposta prevaleceu. A revolução feita para produzir no mundo um novo homem, pariu o último cachorro.