Mostrando postagens com marcador Ferreiro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ferreiro. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O FERRO VEM AÍ

Fonte: Marli Lima e Daniele Madureira in primeira página do Valor, 8/6/2011.

Dois dias depois do anúncio do leitor digital Nook nos Estados Unidos, aparece em destaque no Brasil esta notícia de que a Electrolux vai começar a fabricar ferros de passar roupa em Curitiba. Não é um resumo da ópera estupendo isso? Ferros de passar roupa!! Sensacional! É a nossa resposta aos norte-americanos. Ao Nook, o ferro! Mas espere um momento. “Nossa” resposta? A Electrolux é sueca? Como assim? Ai, ai, ai, ai, ai.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

BIGORNA

“Anvil” [bigorna] por Harold Ross, no Hagley Museum and Library, em Wilmington, Delaware, em 29/5/2008.

A bigorna, minha ferramenta,
para as artes e os ofícios.
Para as artes,
azartes, az-zahr.
Em árabe, flor.
Ofício de tradutor.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

FUROR

“Leviathan”, a escultura de Anish Kapoor para a exposição Monumenta no Grand Palais des Champs Elysées em Paris até 23 de junho. Fotografia de Benoit Tessier/Reuters in The Guardian, 10/5/2011.

“Quando se ergue, as ondas temem
e as vagas do mar se afastam.”

Livro de Jó, 41:17 in A Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas, 1987, p. 940.

terça-feira, 31 de maio de 2011

FUSÃO

Barbara Hepworth por Jorge Lewinski/The Lewinski archive at Chatsworth in “Barbara Hepworth: Queen of the Stone Age” de Jonathan Jones in The Guardian, 2/5/2011.

O que fazer do furo? Habitá-lo.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

SOLIDIFICAÇÃO

Fotografia de T Colla.

“Richard Serra disse uma vez que ele foi para a Universidade da Califórnia em Santa Bárbara para estudar literatura e aprender a surfar”.

Christopher Benfey in “Richard Serra's Mind-Expanding Sculptures”, Slate, 6/6/2007.

domingo, 29 de maio de 2011

FERREIRA

Escultura de Barbara Hepworth em frente ao museu The Hepworth Wakefield inaugurado em 21 de maio, em Yorkshire, Inglaterra. Fotografia de Sarah Lee in The Guardian, 19/5/2011.

Às margens do rio Calder,
em Yorkshire,
nasce uma rosa,
desenhada por David Chipperfield,
para abrigar, para cuidar,
de uma escultora que morreu queimada,
em seu estúdio, seu afazer,
Barbara Hepworth, o nome,
aquela que foi transformada
pelo ferro, pela pedra
em palavra.

sábado, 28 de maio de 2011

RETRATO DO FERREIRO QUANDO JOVEM

“Torse de jeune fille [I]” [Torso de uma jovem] em ônix por Constantin Brancusi, em 1922. Harvard Art Museums, Fogg Art Museum, Cambridge, the Louis Orswell Collection, 1998. Fotografia President and Fellows of Harvard College/Junius Beebe.

Fietta Jarque, do El País, foi até a Suíça encontrar o ferreiro-artista Richard Serra, na abertura da exposição genial que a Fundação Beyeler organizou das obras de Serra e do romeno, naturalizado francês, Constantin Brancusi. A exposição fica até 21 de agosto na Suíça e depois vai para o museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha. É daquelas entrevistas para se ler em voz alta nos jardins de infância, se pregar nos postes das cidades, chorar de alegria. Ela começa assim:

“Jarque – Qual é a relação do sr. ou da sua escultura com Brancusi?
Serra – Não creio que exista uma conexão paralela entre a obra de Brancusi e a minha. O que posso dizer de minha parte é que, quando era estudante, entre 1964 e 1965, tive uma bolsa de estudos de um ano em Paris. Eu já era pintor na época, mas não escultor. Fui ver a reconstrução do ateliê de Brancusi, que estava no Museu de Arte Moderna, e me senti tocado e inspirado por ele. Fui ver essa exposição vários dias e fiz desenhos de suas esculturas. Fiz esses desenhos porque para mim o desenho é a forma como o volume corta o fio das coisas. O interior se desenha e se desenha também o exterior. É nessa fina linha que o desenho ocorre. E enquanto observava o estúdio de Brancusi, me dei conta de que em seus cortes e modelos, ele desenhava com a escultura, da mesma maneira que Cézanne desenhava nas pinturas. Fiquei impressionado com essa ideia. Desde então não voltei a ver a escultura da mesma maneira. Isso foi como um despertador para mim.

Jarque – O sr. se refere à escultura abstrata de Brancusi...
Serra – Brancusi é como um manual de instruções. Ele é a austeridade e a simplicidade das formas. Mas se queres representação, ali também encontrarás. Se queres abstração, lá estará. Se queres volume, também. Ou a justaposição. E sempre está feita das formas mais simples e da imaginação, de tal maneira que eu nunca tinha visto antes. Algo ali me atraiu para sempre sem saber porque, e voltei dia após dia para fazer meus desenhos. Quando fui embora de Paris, já pensava em me dedicar à escultura. Se não fosse essa bolsa de estudos, provavelmente eu nunca teria me tornado escultor. Pois bem, isso foi há 40 anos. Se hoje me perguntam se Brancusi foi uma influência posterior, eu digo que não. Foi apenas o princípio. Foi ele quem engendrou em mim a possibilidade de fazer-me escultor. Porque a escultura consiste realmente em aceitar que se pode inventar formas. E acredito que Brancusi foi capaz de reduzir a forma a uma ideia muito simples.

Jarque – Suponho, além disso, que o estúdio de Brancusi conservado intacto parecia guardar muitos de seus segredos.
Serra – Sim, ele retinha uma aura. Você quase podia sentir a sua presença ali, embora ele já não estivesse. A atmosfera do ateliê era impressionante. Quanto a essa exposição de agora, que relaciona a obra de Brancusi com a minha, eu não diria que há nexos diretos. Mas uma das coisas que Brancusi demonstrou foi a possibilidade de retirar a escultura de seu pedestal. Eu penso na escultura Coluna Infinita, a de madeira. Brancusi cortou a peça medindo exatamente a altura do chão ao teto na galeria Brummer de Nova Iorque, em 1926. Ele mediu o espaço, no contexto. Foi algo excepcional porque depois disso ele seguiu fazendo obras sobre o pedestal. Mas essa ideia de alguém medindo o espaço no lugar da exposição, levando em conta o espaço do lugar, a paisagem de fora, me impressionou demais. Eu queria trabalhar a escultura fora do pedestal, porque quando consegue isso, consegues fazer com que o espectador veja a escultura ao nível de sua própria experiência. Se pensas em uma pintura dentro de seu marco de referência, o que está pintado permanece dentro desse enquadre. Mas em uma peça como esta [aponta o dedo para sua obra Olson], te moves, podes andar por ela, através dela, e isso muda a tua experiência em relação ao espaço. De tal modo que a peça não depende de sua imagem, mas sim do que o espectador experimenta dentro dela, ao redor dela ou desde diferentes pontos de vista.”

Fonte: entrevista de Richard Serra a Fietta Jarque in Babelia, El País, 28/5/2011.

“Olson” em aço por Richard Serra, em 1986. Exibição na Fundação Beyeler, Riehen/Basel, Suíça. Coleção do artista. Fotografia de Lorenz Kienzle.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

FERRARI

“Love Bug” de Michael Dweck no belíssimo “The End: Montauk, N.Y.”, publicado por Harry N. Abrams, New York, 2004.

quarta-feira, 23 de março de 2011

F-15

Líbios inspecionam um F-15 norte-americano que caiu em Bu Mariem. Fotografia de A.Niedrighaus/AP in El País, 23/3/2011.

Um F-15 espatifado, um F-15 despedaçado, um F-15 partido. Isso não poderia ter acontecido, se acontecido não poderia ser fotografado, se fotografado não poderia ser exibido, se exibido eu não poderia ter visto. Tudo, menos isso. Esta é a fotografia do fracasso irremediável, do que não é mais, do avesso de um F-15, a morte seca – bem longe da tua respiração barulhenta, teu ronco lindo a romper o céu, doce cantiga de ninar, a velocidade da luz, o limite incomensurável, o ultrapassar daquilo que se chama distância, a força em movimento contínuo, vitória régia. Um F-15 no céu é a obra-prima do ferreiro, com suas tenazes, com seu martelo, na forja, deu a vida por essa máquina perfeita, máquina valente, máquina formidável – ele é seu filho brilhante, seu filho estrela, seu filho constelação, seu filho imbatível, um colosso. Um F-15 não pode cair, um F-15 não pode ser derrubado, um F-15 não pode deixar de existir. Isso não aconteceu. É montagem, é propaganda de guerra, é mentira deslavada. Eu não aceito isso. Eu recuso. Mas minhas lágrimas me traem, me fazem recolher esses restos e dizer para quem quiser ouvir, meu pobre Yorick. Eu o construí para me continuar, com toda a infinita graça, a espantosa fantasia. Mil vezes me carregou nas costas – onde andam agora tuas cambalhotas? Eu jazo contigo, meu filho. Bu Mariem é nosso túmulo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

IARA

Dilma Rousseff e Barack Obama depois de recepção para o presidente no Palácio do Alvorada. Fotografia de Wilson Pedrosa/AE na primeira página do jornal O Estado de São Paulo, 20/3/2011.

A belíssima fotografia de Wilson Pedrosa me desconcertou. O que significa esse encontro de dois presidentes em frente ao espelho d'água do Palácio do Alvorada? A escolha de nossa presidente não poderia ter sido mais simbólica, pois do outro lado do espelho estão essas magníficas banhistas de Alfredo Ceschiatti, também conhecidas como Iaras. Estou tentando continuar o raciocínio mas Olavo Bilac não deixa. “Vive dentro de mim, como num rio, uma linda mulher, esquiva e rara”. É demais, não? Vive dentro de mim. Poderia parar neste verso que já seria obra-prima. “Num borbulhar de argênteos flocos, Iara, de cachinhos dourados e corpo frio”. Corpo frio? Mas que diabos Bilac quer dizer com isso? Por que Iara teria o corpo frio? Água fria do rio é uma coisa, mas corpo frio? Ele continua assim, “entre as ninféias a namoro e espio: e ela, do espelho móbil da onda clara, com os verdes olhos úmidos me encara, e oferece-me o seio alvo e macio”. Lindo demais. “Oferece-me o seio alvo e macio”. Me perdi neste seio, nessa alvura, nessa maciez, nesses argênteos flocos. “Oferece-me o seio alvo e macio”. Há que repetir isso em voz alta, declamar com ardor. Como é genial esse Bilac! O poema não termina assim: “precipito-me, no ímpeto de esposo, na desesperação da glória suma [aqui Dilma está dizendo a Obama: cuidado com a desesperação da glória suma na Líbia ou, de forma mais lacaniana, suma logo da Líbia!], para a estreitar, louco de orgulho e gozo... [que coisa linda esses três pontinhos no poema. Por outro lado, essa menção ao gozo, ao perigo do gozo, ao precipício do gozo, ao que está além do gozo, me parece uma clara evocação do que não pode ser escrito, então esses três pontinhos estão no lugar daquilo que não se fala ou, melhor, daquilo que já não pode mais ser falado, pois o sujeito que fala já não existe mais]. E corre o rio “mas nos seus braços, ai, acabo de citar mal, o original diz nos meus braços, a ilusão acaba, se esfuma [esse esfuma é demais], e a mãe d'água, exalando um ai piedoso, desfaz-se em mortas pérolas de espuma”. Espetacular! “Desfaz-se em mortas pérolas de espuma”! Maravilhoso poema! Sensacional! A mãe morreu, daí o corpo frio. Agora, o que continua misterioso, e eis aí o grande artista que foi Alfredo Ceschiatti, é por que ele chama sua obra de “Iaras”. Como assim? Iara não é só uma? Por que Alfredo Ceschiatti duplicou Iara? Talvez a arte seja justamente esse movimento de reviver aquilo que se perdeu, que partiu, a escultura de uma saudade, a presença da ausência. Uma derradeira observação: Iara foi também sereia. E aí fica mais simbólico ainda o ato de Dilma para com Obama: nesse tempo de “Aurora da Odisséia”, há uma “Alvorada” diferente, com um outro canto das sereias, que fala de banhos, de seios, da morte também, mas não mais da morte matada, mas da outra, a morrida, daquilo que é esquivo e raro, a palavra na política, os encontros possíveis daqueles que decidem fazer de um palácio a morada das palavras, dos acordos, enquanto vida houver. Estará nosso Ulisses com os ouvidos tapados de cera?

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TOBRUK


Um regimento dos granadeiros italianos desembarca em Trípoli entre 10 e 12 de outubro de 1912. Fotografia in La Repubblica, 25/2/11.

Eu sou um Afrika Korps. Estou em Tobruk. Meu sangue alemão dos Schmitz e dos Schwertners ferve, arde, quer vingar meu avô italiano ferido neste deserto, picado por um escorpião feroz. Foi em 1920 quando ele desembarcou na Líbia, transferido para as Tropas Coloniais em Trípoli. Durou 2 anos no deserto inclemente até que um escorpião o picasse. Ele sobreviveu à picada. Eu não. Eu sucumbi, eu padeço, eu grito esta dor. Eu manco. Meu avô derrotado por um escorpião. Inaceitável. Eu embarco agora nos Afrika Korps, eu luto em alemão para vingar os italianos humilhados, os italianos aprisionados. É outra guerra, você já está no Brasil, não importa. Eu viro um rato do deserto, logo eu, um leão, mas eu comando todos os Panzers, eu os faço correr, eu mato, eu venço. Ali onde meu avô sucumbiu, eu conquisto. Ali onde meu avô não foi, eu agora herói, eu Wüstenfuchs, raposa, o marechal de campo, O Libertador, Eu, Erwin Rommel, Führioso. Não haverá mais escorpiões neste deserto vermelho, esburacado, revirado, cemitério a céu aberto. É por você, vovô, é para você. Blitzkrieg. Eu construo falsos tanques com pedaços de árvores e restos de carros, eu, o rei das ilusões, eu ponho os ingleses para correr, amedrontados, despedaçados, ossos espalhados pela areia. Perguntem pelo meu nome em Mersa Brega, em Tripolitania, em Cirenaica, em Benghazi. Perguntem por mim em Bardia, em Salum, em Tobruk. Querido nono, é o que eu te ofereço. Nenhum ferrão irá mais te machucar. Eu, ferreiro, asseguro.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

COMPLEXO


“Variante ovoide de la desocupación de la esfera” [Variante ovóide da desocupação da esfera] (1958) de Jorge Oteiza em Bilbao, Espanha, às margens do rio Nervión. Está desde 2002 em frente ao Ayuntamiento [Prefeitura] e, feita em aço, tem 8 metros de altura e 6 metros de diâmetro e pesa mais de 16 toneladas. Os bilbaínos a chamam carinhosamente de “txapela a medio lao”, em referência ao símbolo de identidade do País Basco, a boina, colocada sobre a cabeça “a medio lao”, meio de lado. Bilbao já foi conhecida como “cidade do ferro”, em função das montanhas que a cercam, ricas em minério de ferro. Desde o século XVIII, a cidade desenvolveu forte indústria siderúrgica e de construção naval. Fotografia de Aitor Ramos, em 2008.

“ÉDIPO:
Então devo concluir: ninguém me fez?”

Édipo Rei de Sófocles na tradução de Trajano Vieira. São Paulo: Perspectiva, 2001, p. 86.

domingo, 21 de novembro de 2010

A LESTE DO ÉDEN

Fonte: Gênesis, livro 4, versículo 22 in Vulgata, Bible Study Tools.

Fonte: Bíblia italiana traduzida por Giovanni Diodati em 1649, Bible Study Tools.


Fonte: The Complete Jewish Bible in chabad.org library.


Tubal-Caim, filho de Zila, um malleator, aperfeiçoador, afiador, polidor, inventor também, seguidor de Caim, descendente, na arte do cobre – cobrador! - e do ferro, mestre de armas, mestre de obras. Ferreiro enfim.

sábado, 20 de novembro de 2010

TUBAL-CAIM

Tubal-Caim ou o inventor da metalurgia por Andrea Pisano, c. 1334-1336, no Campanário de Giotto in Santa Maria del Fiore, Florença.

Ao lado de Adão, de Eva, da música, do pastoreio, do vinho, lá está, à oeste, Tubal-Caim, o inventor da metalurgia. A seu lado, ao sul, a astronomia, a arquitetura, a medicina, a caça, a tessitura, a legislatura e Dédalo. No outro lado, a leste, a navegação a remo, a justiça, o cultivo, o teatro, a geometria. Mais um pouco, ao norte, a escultura, a pintura, a gramática, a filosofia, a música, a aritmética, a astronomia. Isso fez Andrea Pisano na base do campanário de Giotto na Catedral de Florença, Santa Maria del Fiore. Trabalho de ferreiro.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

DAI A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR

Fonte: Irene Maria Scalise in La Repubblica, 19 de novembro de 2010.

Irene Maria Scalise traz hoje no indispensável La Repubblica a confirmação daquilo que já se desconfiava, porém faltava a prova. O famoso canivete suíço, do qual os suíços se gabam, ganham a vida vendendo, não é uma invenção suíça. Foi invenção de um Ferrari romano há dois mil anos. A prova foi descoberta pelo imparcial Fitzwilliam Museum, museu de Cambridge, que logo o colocou em exposição. Trata-se de um instrumento feito de ferro e prata, com 15 centímetros, contendo uma colher, um garfo, uma faca, uma espécie de palito para os dentes e outros artefatos. Que os suíços me desculpem, mas o genial Orson Wells na pele de Harry Lime via Graham Greene resumiu tudo no filme O Terceiro Homem:

“Na Itália, durante os trinta anos em que os Bórgias estiveram no poder, houve guerra, terror, violência e assassinatos, mas ainda assim lá surgiram Michelangelo, Leonardo Da Vinci e a Renascença. A Suíça, com toda a sua fraternidade e seus 500 anos de democracia e paz, produziu o quê? O relógio cuco.”

Sensacional! Quanto ao relógio cuco, em breve nova revelação...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

ESSÊNCIA

Anúncio da exposição de Giorgio Morandi, “L’essenza del paesaggio” [“A essência da paisagem”] na Fundação Ferrero [do fabricante dos bombons Ferrero Rocher] em Alba, Itália in La Repubblica de 6 de novembro de 2010.

Morandi, ferreiro, Alba, a estrada. Doce amanhecer.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

PERGUNTAS DE UM FERREIRO

“Perguntas de um trabalhador que lê – Bertolt Brecht (1939)


Quem construiu a Tebas de sete portas?

Nos livros estão nomes de reis.

Arrastaram eles os blocos de pedra?

E a Babilônia várias vezes destruída –

Quem a reconstruiu tantas vezes? Em que casas

Da Lima dourada moravam os construtores?

Para onde foram os pedreiros, na noite em que a Muralha da China

ficou pronta?

A grande Roma está cheia de arcos do triunfo.

Quem os ergueu? Sobre quem

Triunfaram os Césares? A decantada Bizâncio

Tinha somente palácios para seus habitantes? Mesmo na lendária

Atlântida

Os que se afogavam gritaram por seus escravos

Na noite em que o mar a tragou.


O jovem Alexandre conquistou a Índia.

Sozinho?

César bateu os gauleses.

Não levava sequer um cozinheiro?

Filipe da Espanha chorou, quando sua Armada

Naufragou. Ninguém mais chorou?

Frederico II venceu a Guerra dos Sete Anos.

Quem venceu além dele?


Cada página uma vitória.

Quem cozinhava o banquete?

A cada dez anos um grande homem.

Quem pagava a conta?


Tantas histórias.

Tantas questões.”


Bertolt Brecht traduzido por Paulo César de Souza in Bertolt Brecht – Poemas 1913-1956. São Paulo: ed. 34, 6ª. ed., 2001, p. 166.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

FABER FERRARIUS


Fonte: Bible Study Tools, consultado em 2 de novembro de 2010.

Na Bíblia, no Velho Testamento, Livro de Isaías, capítulo 44 e versículo 12, o faber ferrarius ali está. É o artesão ferreiro, que lima operatus, do limão faz limonada, est in prunis et in malleis formavit, lindo isso, ele faz o machado e trabalha nas brasas, no calor, dá forma ao informe, afia e desafia, formavit illud et operatus, ilude a natureza à marteladas, opera, bate e rebate sobre a matéria, mas, ai, ai, ai, suae esuriet et deficiet, sua, faminto, cansa quando non bibet aquam et lassescet, quando não bebe daquela água, desfalece. Ferra-se.

domingo, 31 de outubro de 2010

FUNDIÇÃO


“Frayed” [Puída] de Tommy Ton na Paris Fashion Week in Jak e Jil blog, 17 de outubro de 2010.

Barra mansa.