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domingo, 3 de abril de 2011

CIÊNCIA AO ALCANCE DE TODOS


Fonte: Folha de São Paulo, 31/3/2011.



Fonte: O Globo, 3/4/2011.


Relação de causa-efeito.

quinta-feira, 17 de março de 2011

ROTOS

Fonte: primeira página do jornal O Globo, 17/3/2011.

Os rotos se reuniram para falar do esfarrapado. Sobre o controle, era esse o nome da agência que o saudoso Agente 86, Maxwell “Max” Smart, trabalhava com a maravilhosa Agente 99. Dá para acreditar no Japão? Não. Dá para acreditar nos Estados Unidos, na Rússia e na Europa? Jamais.

quarta-feira, 16 de março de 2011

FUSÃO NUCLEAR

Anúncio in Zero Hora, 16 de março de 2011.

A ironia máxima é amanhã abrir a exposição “Titanic” em Porto Alegre.

domingo, 13 de março de 2011

FIASCO

Crianças passam por testes de controle de radioatividade em Koriyama, área de evacuação da central nuclear de Fukushima. Fotografia de Kim Kyung Hoon/Reuters in El País, 13/3/2011.

O Japão é um fiasco. Esqueça a mitologia reproduzida na mídia sobre um povo educado, inteligente, preparado, resistente e que é capaz de tudo – e quando a mídia brasileira escreve e mostra isso, ela está gritando nas entrelinhas, “ao contrário do Brasil, burro, despreparado, desorganizado, uma zona”. O mesmo país que consegue montar um automóvel Toyota ou Honda em 5 minutos é o país que jamais conseguiu pedir perdão e iniciar uma reles indenização à China pelas atrocidades cometidas em Nanquim – mais de 20 mil mulheres estupradas e feitas escravas sexuais pelas tropas japonesas de ocupação. O mesmo país que nos deu o magnífico Akira Kurosawa e seus sete inesquecíveis samurais – ali está o melhor retrato de um outro Japão – é o país que nos dá essa irresponsável decisão de construir mais de 50 reatores nucleares sobre terreno movediço, sob risco de terremoto, sob risco de tsunami. Isso não é inteligência. Isso é desaforo, isso é o que os gregos chamavam de húbris, desmedida, desafio louco, arrogância estúpida. Eu não admiro a professorinha do jardim de infância que com uma única palavra “terremoto” consegue organizar a fila ordeiramente, corretamente, tranquilamente de todas as crianças da sala de aula. Eu não admiro ninguém correndo pelas ruas desesperado. Essa mesma ordem, eficácia e obediência é a razão pela qual esse tormento nuclear acaba de explodir. 50 reatores nucleares e ninguém protesta, ninguém se move contra uma empresa gananciosa e um governo podre? 50 reatores nucleares e não se vê nenhuma greve, nenhum quebra-quebra, nada nas universidades, nada nos centros de pesquisa, nada nos bares, nada nas vilas, nada em Tóquio? Fiasco.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O CAPITALISMO EM QUESTÃO

Fonte: Daniel Rittner in Valor, 24 de janeiro de 2011.

Daniel Rittner trouxe ontem no Valor um debate formidável: o Estado pode abrir mão do dever constitucional de proteger a saúde dos cidadãos para respeitar direitos legítimos de investidores estrangeiros? Coube a um médico, então na presidência da república, o sr. Tabaré Vásquez, responder não. Chega. Há limites para o capitalismo. Não há indústria-símbolo do capitalismo melhor que as fabricantes de cigarros. Só outra é comparável, a farmacêutica. O que produz uma indústria de cigarros? Ela produz, como todas as indústrias, fantasia. Que essa fantasia seja perigosa, seja nociva, seja viciante, enfim, é o que vai diferenciá-la de outras indústrias. Ora, para o capitalismo, e eis aí sua imensa força, as fantasias existem e muitas vezes, como nesse caso, contrariam o bom senso de qualquer cientista: como é que pode alguém querer se fazer mal? Coube a Freud responder essa questão: o ser humano é aquele que está bem no mal. Ele vai em busca de se ferir, de se sacanear, de se machucar – na maior parte das vezes querendo fazer exatamente o contrário disso, ou seja, querendo o bem, querendo o melhor. O problema, diz o doutor Tabaré Vásquez, é que esse tipo de indústria não se contenta em produzir o mal. Ela quer vender isso como se fosse o bem, quer anunciar isso na televisão como chicle, balinha, bombom, com camelinhos e borboletas esvoaçantes. Daí sua decisão: vai vender tendo no rótulo a palavra merda, a palavra veneno – e coube a este médico acabar com a farra das embalagens e dos anúncios mágicos dos cigarros no Uruguai. Sobre esse debate, o filme “O Informante” [The Insider, 1999] do diretor Michael Mann é bastante esclarecedor. Uma indústria que divulga falsas pesquisas como verdadeiras, uma indústria que compra cientistas e universidades, uma indústria que mente, que sabota, que sacaneia seus consumidores, essa indústria merece existir? É curioso que, se a resposta for não, acaba o capitalismo – vai ser difícil encontrar uma empresa fora dessa lista. Então, todo o problema do Estado é como permitir uma fábrica de drogas sem que esse empreendimento consiga atingir seu objetivo, que é viciar toda a população de um país. O Uruguai deu o exemplo: quer existir por aqui, então será desse jeito – e não de qualquer jeito como quer a indústria. Bravo Uruguai! Por outro lado, que o Estado me diga que isso faz mal, que a mensagem do fabricante é mentirosa, tudo bem. Agora, o Estado querer me impedir de comprar, querer me impedir de fazer uma escolha, aí caímos no totalitarismo. Eu não sei se a Philipp Morris tem razão em sua disputa. Mas é também uma das maiores qualidades do capitalismo o fato de uma empresa dessas poder duvidar das intenções do Estado. E isso é ótimo. Que o cigarro causa dependência e causa câncer, é sabido. Agora, que um Estado-Papai, que quer me tratar como criancinha de berço para o resto da vida também causa dependência e também causa câncer, é preciso saber disso também. Aqui, recomendo “1984” de George Orwell, também levado ao cinema em um filme atordoante do diretor Michael Radford, com a trilha sonora espetacular do Eurythmics.

domingo, 22 de agosto de 2010

NUNCA ANTES NESSE PAÍS...


Fonte: primeira página do Globo, 22 de agosto de 2010.

A FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) manda avisar: é Dilma na cabeça!

O NEGÓCIO DA PULSÃO DE MORTE

Fonte: Clay Bennett in Chattanooga Times Free Press, 22 de agosto de 2010.

Genial! Talvez a intenção de Clay Bennett tenha sido a de mostrar a saída dos Estados Unidos-construtores e o retorno dos iraquianos-destruidores, porém, sem querer, os dois têm o mesmo uniforme, e aí é possível uma outra interpretação. Quem precedeu os construtores nessa história foram os Estados Unidos-destruidores. Deve ser isso aliás o que chamam da verdadeira alma do capitalismo, ou seja, a destruição criativa. Schumpeter deve ter tido um orgasmo no túmulo. Quem diria que os militares um dia seriam meros empregadinhos, soldadinhos de chumbo a serviço, na folha de pagamento, batendo ponto diariamente, caixeiros viajantes e operários-padrão das grandes empresas. Atrás de cada edifício demolido, de cada campo de petróleo atacado, um novo contrato de construção-exploração. É claro que essa não é a única explicação para uma guerra imbecil. Freud trouxe para os economistas um problema que eles nada querem saber, não querem ver, não querem ouvir falar: a pulsão de morte. O que os Estados Unidos foram fazer no Iraque? Não só negócios, mas também se perder, se sabotar, se sacanear, se autodestruir. Conseguiram. Mas, esse êxito não basta. O gozo exige mais sacrifícios, mais mortes, mais exploração, mais violência. Soon.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

QUEM MATOU GETÚLIO VARGAS?










“A direita tentou dar um golpe a cada 24 horas para não permitir que as forças democráticas pudessem continuar neste país. Foram oito anos de ataques, provocações e infâmias. Eu mandei dizer a essa elite: vocês mataram Getúlio (Vargas), obrigaram (João) Goulart a renunciar e o Jânio Quadros durou seis meses. Se quiserem me enfrentar, não vou estar no meu gabinete lendo o jornal de vocês. Estarei nas ruas conversando com o povo brasileiro!” – presidente Lula em comício no ginásio Gigantinho de Porto Alegre. Fonte: Leila Suwwan in O Globo, 30 de julho de 2010.


É verdade que “a elite” existe, é verdade que “a elite” é dona de jornais, é verdade que “a elite” luta pelo poder o tempo todo. Porém, não é verdade que “a elite” matou Getúlio Vargas, não é verdade que “a elite” obrigou João Goulart a renunciar, não é verdade que “a elite” fez Jânio Quadros durar seis meses. Pior que “a elite”, mais forte que “a elite” é o que o genial Sigmund Freud descobriu em sua clínica depois de 50 anos de trabalho diário escutando gente doída, gente quebrada, gente dividida, gente sofrida demais, e que denominou de “pulsão de morte”. O que é a pulsão de morte? É uma força avassaladora do sujeito contra si mesmo, uma força de ataque 24 horas por dia, trabalhadora sem descanso, nem dó nem piedade, uma força sabotadora, força sacaneadora, força que vai contra o ideal aristotélico de que o ser humano busca o bem, busca a felicidade. Errado. O ser humano busca se ferrar o tempo todo, se machucar, se perder, se danar – sem querer...querendo. Getúlio Vargas fez isso ao se tornar um ditador fascista, João Goular fez isso ao construir sem saber e sem querer – essa força é inconsciente – a sua própria queda e Jânio Quadros fez isso ao renunciar. Este, pelo menos, distinguiu vagamente o problema. Chamou de “forças terríveis” a autora de sua trapalhada. A pulsão de morte é esse terrível na cara, no dia-a-dia, à vista o tempo todo – porém, disso, o sujeito nada quer saber – prefere acreditar na genética, se entupir com comprimidos e se benzer com rezas. Senhor presidente: não se combate essa força indo falar com o povo brasileiro – que sofre do mesmo mal. Essa força, senhor presidente, só com análise. À disposição, senhor presidente.