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quinta-feira, 26 de maio de 2011

NOSSOS DESTINOS

Fonte: primeira página do Globo, 26/5/2011.

Em Brogodó, o Rei voltou para proteger a Flor. Só falta definir quem é o Timóteo. Timóteo é o Leonardo da novela das seis, ou seja, é o mal encarnado, é o mal de terno e gravata, é o mal de colarinho branco, é o mal sedutor. Ontem ele bradou contra a bela advogada que à noite vira Diadorim, vira Fubá para conseguir abraçar seu amado Jesuíno, a frase-emblema, a frase-símbolo que define o perverso: “eu sou a lei”. Lá está o filhinho do papai de um coronel falecido renegando a filiação e fazendo de conta que é ele o pai, o filho e o espírito – e não o Jesus-íno – é ele o prefeito, é ele o governador, é ele o Rei – aliás, genial foi o sobrenome que inventaram para Timóteo: Cabral!! Mas, afinal de contas, quem é o Timóteo do governo Dilma Rousseff? Quem é a lei encarnada? Quem é o que pode tudo e não deve satisfações a ninguém? Está aberto o concurso neste blog. Que minhas estimadas leitoras e meus queridos leitores se pronunciem. A hora é grave. A Flor já murchou esses dias em que esteve com pneumonia – é que os ares de Brogodó estão empestiados. Só Miguézim viu o invisível: “o vice vem aí”. Se isso acontecer, eu entro para o bando do capitão Herculano. Eu e Lilica.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A VINGANÇA DE IARU

Fonte: Time, 7/2/2011.

O homem que quer ser Kennedy acordou na semana passada como Ronald Reagan! Ora, se Barack Obama é Reagan, quem é Dilma Rousseff? Dilma é...Estela!! E, naquela cena maravilhosa em que ela invoca os antepassados da tribo karuê, quem é Apoena? Apoena é Lula!! E Antônia, a companheira de Apoena? Com quem Lula fez parceria – a trilha sonora, por favor, “vai amigo...” – fez uma joint-venture em seu reinado? Com José Sarney, é claro. Sarney é Antônia – inclusive isso casa perfeitamente com o fato dele ser novamente eleito presidente do Senado – é o pedido de Estela para que seu espírito a proteja de Iaru. Ora, o problema é identificar Iaru. Quem é Iaru, a portadora da maldição? Coube a um francês, o naturalista August Saint-Hilaire, no seu livro “Viagens à Província de São Paulo”, responder: é a saúva. Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil. Mário de Andrade, no profético Macunaína, retocou: muita saúva e pouca saúde os males do Brasil são. Infelizmente, é muito metafórico isso. Cai-se com muita rapidez na generalização, “os políticos”, “os corruptos”, e assim por diante. Para resolver este enigma, vejamos algumas características de Iaru: a dor insuportável, uma vontade insana de vingança, um ódio imenso de quem a prejudicou, anda sempre armada até os dentes – e aquela lança em sua mão diz tudo, é uma guerreira. Agora ficou fácil: sofrimento, ódio, vingança, guerra...José Dirceu! Iaru é José Dirceu! É ele a ameaça oculta, a força invisível a pairar feito uma nuvem negra, uma tempestade sobre o governo de Estela. Como? Iaru é uma mulher? Muito fácil. Aquela lança lembra um arpão, arpão rima com anzol, anzol vai para...Ideli Salvatti! Ou será que ela está mais para vó Mariquita?

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

ARAGUAIA



A melhor novela em cartaz atualmente é Araguaia. Enquanto Insensato Coração é aquele avião do Pedro que foi abastecido errado e caiu antes de decolar – com a exceção maravilhosa da Paola Oliveira, que para sempre será Lívia no meu coração – e Ti-Ti-Ti se arrasta, Araguaia é diferente. Araguaia tem Cleo Pires vivendo esta índia karuê espetacular, a Estela. Nunca antes neste país houve uma índia karuê assim. Apaixonada, fissurada, atravessada pela flecha do gaúcho do bem, o Solano – também flechado no que supostamente seria uma flecha karuê, mas o mistério aqui é magnífico: se a flecha não é karuê, de quem é esta flecha? Há não-karuês presentes nesta história? Mas Estela, esses dias vi de relance um banho seu no Araguaia. Ai, ai, ai. O Araguaia nunca mais será o mesmo depois deste banho. Eu nunca mais serei o mesmo. O banho de Estela foi a cereja no topo do bolo, foi um plus, um brinde, o combo, nada a ver com aquela ventania doida que volta e meia assusta, desampara. Porém, tem o outro gaúcho, o gaúcho do mal, Max – devidamente vingado pela mulher, a Madame Bovary do Cerrado, Amélia, que nome mais equívoco. Pois esta Amélia vive uma mulher de mentira de noite, no travesseiro do Max, e uma mulher de verdade de dia nos braços, na boca, nas pernas, no pelego do Léon, um não-gaúcho como que a dizer que é possível ser feliz com um não-gaúcho – tese no mínimo duvidosa... – aliás, seria pedir demais que a terrível “Falsa Mulher” do indispensável Teixeirinha fosse tocada ao menos uma vez? Mas, onde eu estava mesmo? Nas guampas do bagual, impiedosamente traído, passado para trás. Esta Bovary não perdoa – nem a outra! Serão os ares do Araguaia? As águas? Mas não há só Estela e os trovões, há também no Araguaia poções misteriosas, oferendas, e a maldição que até agora não entendi direito, vai ver porque comecei a assistir tarde, e aqueles espíritos da floresta que não descansam – é a pulsão pós-morte!! A força constante do além!! Sensacional!! E qual é o problema desta índia se apaixonar pelo gaúcho branco? Aliás, há um gaúcho negro na novela que é o avesso do negro Don Juan da novela das 8 – negro de novela das 6 ou é escravo da Isaura ou é escravo de fazendeiro, não tem jeito – ser negro na novela das 6 é uma desgraça! Mas, eu não poderia deixar de mencionar as pedras preciosas da Ametista, da Esmeralda e da Pérola, sempre a mostrar – e como mostram – seus, digamos, talentos malhados, sarados, trabalhados dia e noite, ai, ai, ai, prendas lindas, queridas a botar seus pezinhos nas águas, nos barros e nos barrancos. Falta alguém? Falta. Araguaia tem Janaína, vivida por esta esplendorosa Suzana Pires. Que atriz sensacional! Que mulher mais linda!! Cada vez que Janaína aparece, eu desapareço, eu viro o Fred, eu viro o Solano, eu viro índio karuê, eu invoco os antepassados, eu livro a maldição, eu beijo a Estela – espere. Mas não era a Janaína? Ai, ai, ai...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

TIRÉSIAS NÃO É O CAPITÃO NASCIMENTO

Michel Melamed, o excelente autor-protagonista da indispensável “Afinal, o que querem as mulheres?” do imprescindível Luiz Fernando Carvalho, em entrevista a Luiz Felipe Reis in O Globo, 7/12/10.

Tirésias é o avesso do capitão Nascimento de “Tropa de Elite 2”. Quando ele responde a Édipo, não é “o sistema” o problema. O furo é mais embaixo.

“TIRÉSIAS:
Afirmo que és o matador buscado.”

Édipo Rei de Sófocles na tradução de Trajano Vieira. São Paulo: Perspectiva, 2001, p. 54.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

AS CARIOCAS

Fonte: desenho de Milo Manara para a revista do Globo in O Globo, 21 de novembro de 2010.

A “mulher carioca” de Milo Manara, um “modelo perfeito de mulher” segundo entrevista a Cecilia Giannetti na revista do Globo de ontem, não é carioca e não é mulher. Milo Manara repetiu no desenho e nas palavras a sua fantasia que aparece invariavelmente em todas as suas obras. É sempre a mesma mulher, com os mesmos trejeitos, as mesmas bocas, os mesmos olhares, os mesmos gemidos. Manara fantasia “a” mulher. Ora, não existe “a” carioca. Como sabem Sérgio Porto, Daniel Filho e Euclydes Marinho, existem “as” cariocas. Todas imperfeitas, todas incompletas, todas não-todas. Para quem quiser apenas um exemplo, que lance um olhar de viés para Paola Oliveira, atriz maravilhosa, no episódio A Atormentada da Tijuca. Sua Clarissa ilumina, desmodela, faz da rua a passarela das que capengam, bordejam, andam por aí, gradivas na tormenta, desencaminhadas sob o sol, à procura. Mulheres.

sábado, 13 de novembro de 2010

LÍVIA

Paola Oliveira como Lívia na minissérie “Afinal, o que querem as mulheres?” de Luiz Fernando Carvalho, às 5as. feiras na Rede Globo de Televisão. Fotografia de divulgação TV Globo.

Uma só cena, açucena, ela vai na chuva, corre, e uma folha dele cai sobre ela, a recobre no rosto, carícia de letras, ela sobe, prega a folha no vidro, o primeiro encontro em drops, na boca, nos olhos, nas mãos manchadas de tinta, a escrita deles dois, três, quatro, eles correm como em um túnel do tempo, a câmara treme, se retorce, cai sobre os dedos de Lívia, a pintora, que percorrem lentamente uma coleção de LPs e aí ela retira Procol Harum, a trilha, a banda, ele põe A Whiter Shade of Pale, mais letras, beijos, mais beijos, a câmera pelo avesso, torta, serpenteante, o oceano. Luiz Fernando Carvalho é um poeta. E Lívia seu poema mais lindo. Parabéns Paola Oliveira. Muito obrigado Luiz Fernando Carvalho.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

AS COXAS DA JAQUELINE



Espetacular! Como são lindas as coxas da Jaqueline, vividas por essa maravilhosa atriz chamada Alexandra Richter. Quando esta novela começou, Alexandra demonstrou o que é uma epifania em interpretação. Cada fala sua, cada gesto, cada cena, exala um fino humor, uma ironia cheia de graça, uma busca desesperada pelo amor de sua vida, que escolheu sua melhor amiga e não ela, e aí, lá vai essa Jaqueline vibrante, essa Jaqueline cheia de tesão, uma mulher atrapalhada, uma mulher apaixonada, uma mulher transtornada. E as coxas? As coxas de Jaqueline merecem um tratado, uma ode, uma cartilha de alfabetização sexual para o mundo inteiro. Há um dengo ali, há um chamado, há um carinho naquelas coxas que desnorteiam, desarrumam, desfazem nós e correntes, as coxas de Jaqueline são correntezas. Foi Nani Moretti quem, no maravilhoso Caro Diário, fez a melhor crítica aos críticos de novelas, ao mostrar um personagem que resolve viajar para uma ilha sem televisão – e lá está o pobre, alguns dias depois, a correr desesperado para o ferry gritando “eu quero uma televisão”! Sensacional!! É uma bonita homenagem a Fellini que, no indispensável Amarcord, põem o louco a berrar do alto de uma árvore: “eu quero uma mulher”! Magnífico! As coxas da Jaqueline são assim. Fazem evocar, ardem, libertam, impulsionam. Como não lembrar daquelas outras, as da Sharon Stone, que, em contraste total com o Brasil, na América do Norte só puderam ser mostradas como as de uma assassina? Como não torcer para que as da Claudia Raia, outra Jaqueline, ai, ai, ai, finalmente se mostrem em Ti-ti-ti – aliás, que já teve as da magnífica Mayana Neiva desnudadas, no papel formidável de Desirée! Olha o nome, Desirée!! Uma última observação: obrigado Flávio Miglaccio. Em uma novela que tem a suprema Aracy Balabanian, uma gema de ouro a brilhar para sempre na existência de cada mortal, eis aí esse Fortunato impagável, incrível, fantástico. Vítima também da metalúrgica Gouveia, como o pai de Fred, eis a grande questão proposta por esse gênio chamado Sílvio de Abreu: o que é o roubo das jóias da Clara perto do roubo das vidas operada por essa perversa metalúrgica? Obrigado Sílvio de Abreu. Muito obrigado.