Mostrando postagens com marcador África. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador África. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 24 de maio de 2011

PRENDAM O FACEBOOK


Fonte: Thomas L. Friedman, The New York Times in O Estado de São Paulo, 23/5/2011.

O genial Ben Schott decidiu construir um gráfico no The New York Times de domingo que é um primor de informação reduzida à sua essência. Ele compara o período de tempo que durou a presidência em diversos países do mundo de 1977 até 2011. Lá está o Brasil com seus 9 presidentes neste período, enquanto a Síria, por exemplo, tem o mesmo número que Cuba, China e a Coréia do Norte: 2. A Rússia e ex-União Soviética aparece com 5. Israel, para desespero de seus vizinhos, aparece com 10. A campeã, incrível, é a Líbia, em que o fascista de camelo do Kadafi aparece como único presidente em todo esse período de tempo. Não deixa de ser revelador que este reles ditador seja o Ideal do Eu de certa esquerda – é que ele conseguiu realizar a fantasia da imortalidade no poder. Pobre Fidel. Era para ser dele o troféu. Tadinho do velhinho. Mexeram no queijo dele.

Fonte: Ben Schott in The New York Times, 22/5/2011.

terça-feira, 26 de abril de 2011

LIMBO

“Detalhes de vidas no limbo norte-americano”. Fotografia de Brennan Linsley/Associated Press na reportagem de Charlie Savage, William Glaberson e Andrew W. Lehren in The New York Times, 25/4/2011.

Sobre o horror de Guantánamo, o campo de concentração inventado pelos Estados Unidos após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, duas notícias que fizeram Kafka se revirar no túmulo espantado. A primeira delas, traduzida na Folha de São Paulo de hoje, veio do repórter James Ball do inglês The Guardian. Ela diz que prisioneiros capturados com relógio Casio no pulso eram automaticamente suspeitos de pertencer à rede terrorista Al Qaeda, sendo o relógio um “sinal da Al Qaeda” e, portanto, tinham imediatamente prolongados o tempo de prisão. É esse “imediatamente” que é chocante. O prisioneiro não foi ouvido, não teve direito à nenhuma defesa, não há testemunhas, há o sinal no pulso, o relógio Casio, a prova única e definitiva! Eis aqui um exemplo terrível do que significa substituir uma escuta pelo olhar, pela imagem. Aliás, só para apimentar o debate, não estará a França no mesmo caminho ao proibir o uso da burca por mulheres islâmicas em suas ruas? Como diz Vladimir Safatle na mesma Folha de hoje, aguarda-se nas próximas horas a proibição do hábito das freiras católicas também. A segunda notícia veio dos repórteres Rod Nordland e Scott Shane no The New York Times de ontem. Eles descobriram que um dos mais perigosos terroristas do mundo, segundo a “inteligência”, preso e trancado incomunicável em Guantánamo durante mais de 5 anos, o sr. Abu Sufian Ibrahim Ahmed Hamuda bin Qumu, foi transferido à Líbia e hoje é um dos líderes “revolucionários” contra a ditadura de Muamar Kadafi. Incrível! De “perigoso terrorista” à “líder revolucionário” num piscar de olhos. Quem decidiu isso? Quem estabelece que 5 anos é o tempo de “conversão” deste homem? Quem define o relógio Casio como sinal de uma rede terrorista? Quando a maior democracia do mundo está nas mãos de um juiz invisível desses, de um juiz tirano e sem controle, de um juiz que não se pode ver nem duvidar, sequer recorrer, então ela já não é mais uma democracia. Como demonstrou tão bem o genial cineasta indiano-norte-americano M. Night Shyamalan, no indispensável “A Vila”, que é sua resposta ao seriado “Arquivo X”, a verdade não está lá fora. Está aqui dentro. O que é o terrorismo da Al Qaeda perto do nosso terrorismo?


Fonte: Rod Nordland e Scott Shane na reportagem "Libyan Makes Journey From Detainee to Rebel - and U.S. Ally of Sorts" in The New York Times, 25/4/2011.

domingo, 3 de abril de 2011

CIÊNCIA AO ALCANCE DE TODOS


Fonte: Folha de São Paulo, 31/3/2011.



Fonte: O Globo, 3/4/2011.


Relação de causa-efeito.

quarta-feira, 30 de março de 2011

REBELDE

Fotografia Reuters in The Telegraph, Londres, 29/3/2011.

No meio do caminho em Wadi al Hamra, na Líbia,
ele, um rebelde descalço, se ajoelha e ora.
Lá de cima, o satélite aliado congela a imagem,
a reproduz e ela vira o centro da missão.
Há que substituir urgente o objeto da adoração,
pagão.
Que este homem seja logo convertido,
ba-ti-za-do,
e vire chapeiro do McDonald's.
Ou como aquele brasileiro matuto cantou,
empacotador das Casas Bahia.
Irmão, a liberdade está chegando.
Você será salvo.

terça-feira, 29 de março de 2011

COBRA EGÍPCIA À SOLTA

Fonte: Mosi Secret in The New York Times, 28/3/2011.

Não é uma cobra americana, cobra criada, cobrinha de jardim. É uma cobra egípcia, uma cobra exótica, uma cobra africana, uma cobra do deserto, uma cobra-Outra, uma cobra estrangeira. Não é a pantera de Rilke, aquela esmorecida, arrefecida, morta no coração, um resto de pantera, nada-pantera. Essa é uma cobra escolhida por uma rainha, nada mais, a cobra de Cleópatra, adolescente desta vez, mas essencialmente africana, ardentemente africana, trazida à força de lá, trazida à ferros. E ela fugiu. Nova Iorque em pânico de novo, cidade assustada, mais uma vez cobre todas as suas portas, fecha todas as janelas, convoca todas as forças armadas, uma cidade morrendo de medo da cobra venenosa. O estrangeiro só fascina quando controlado, quando manietado, quando fechado entre quatro paredes. O estrangeiro livre é um perigo – ele não obedece mais. A cobra egípcia desliza agora à procura do deserto. Ela tem sede do deserto, ela tem fome do deserto, ela deseja o retorno. Lá, nas dunas, lá, no sereno da madrugada, lá no calor da miragem, lá é seu destino. É lá que a esperam. Lá vai a cobra egípcia, para bem longe de quem um dia a quis bibelô, a quis adereço, a quis só para fotografia. A cobra egípcia vive.

quarta-feira, 23 de março de 2011

F-15

Líbios inspecionam um F-15 norte-americano que caiu em Bu Mariem. Fotografia de A.Niedrighaus/AP in El País, 23/3/2011.

Um F-15 espatifado, um F-15 despedaçado, um F-15 partido. Isso não poderia ter acontecido, se acontecido não poderia ser fotografado, se fotografado não poderia ser exibido, se exibido eu não poderia ter visto. Tudo, menos isso. Esta é a fotografia do fracasso irremediável, do que não é mais, do avesso de um F-15, a morte seca – bem longe da tua respiração barulhenta, teu ronco lindo a romper o céu, doce cantiga de ninar, a velocidade da luz, o limite incomensurável, o ultrapassar daquilo que se chama distância, a força em movimento contínuo, vitória régia. Um F-15 no céu é a obra-prima do ferreiro, com suas tenazes, com seu martelo, na forja, deu a vida por essa máquina perfeita, máquina valente, máquina formidável – ele é seu filho brilhante, seu filho estrela, seu filho constelação, seu filho imbatível, um colosso. Um F-15 não pode cair, um F-15 não pode ser derrubado, um F-15 não pode deixar de existir. Isso não aconteceu. É montagem, é propaganda de guerra, é mentira deslavada. Eu não aceito isso. Eu recuso. Mas minhas lágrimas me traem, me fazem recolher esses restos e dizer para quem quiser ouvir, meu pobre Yorick. Eu o construí para me continuar, com toda a infinita graça, a espantosa fantasia. Mil vezes me carregou nas costas – onde andam agora tuas cambalhotas? Eu jazo contigo, meu filho. Bu Mariem é nosso túmulo.

domingo, 20 de março de 2011

AURORA DA ODISSÉIA

Hillary Clinton chegando ao Palácio do Eliseu em Paris, horas antes do presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciar o início dos bombardeios à Líbia. Fotografia de G. Fuentes/Reuters in El País, 20/3/2011.

Eu compartilho do júbilo, da alegria e do orgasmo de Hillary Clinton. Foi o ex-presidente Ronald Reagan – que ganhou uma homenagem sensacional do historiador da direita lúcida, da direita inteligente, da direita humana, Paul Johnson em seu livro divertidíssimo “Os Criadores” - que diagnosticou de forma precisa quem é o ditador de turbante, o fascistinha de Agadir Muamar Kadafi: “cachorro louco”. Excelente! A pergunta incômoda, da qual essa direita foge como o diabo da cruz, é por que a águia deixou o cachorro ficar tanto tempo no poder. E aí a resposta dói. Dói porque revela algo do perguntador que ele não gostaria que fosse mostrado, que fosse revelado, que viesse à luz do dia – daí o pavor que a psicanálise gera nesse país. É que esta águia não é só águia, ela é também morcego. Isso, convenhamos, é insuportável. O cachorro louco ficou no poder tanto tempo porque ele nos servia, ele nos pagava, ele nos era necessário. O exemplo mais espetacular disso é a relação amorosa entre a “inteligência” universitária européia e norte-americana com o animal em questão. Eis que vem à luz em um século longe demais das Luzes, a cegueira notável da London School of Economics em conceder o título de doutor ao filho do ditador, digamos então, ao cachorrinho louquinho, a partir de uma tese totalmente falsificada, plagiada, copiada. Mais: a excelente
The Economist, em sua edição de 12/3/2011, descobriu que até o guru de Harvard, o mitológico Michael Porter, autor da nova bíblia “Vantagem Competitiva”, aceitou o agrado monetário, o afago pecuniário do totózinho alucinado para fazer um plano de reaproximação entre a Líbia e o ocidente – e ele não foi o único. Luciana Coelho trouxe na Folha de São Paulo de 7/3 a notícia impressionante de que uma consultoria norte-americana, com sede em Cambridge, Massachusetts, a Monitor Group, trabalhou por mais de 4 anos para o regime do cachorrão com o objetivo de ajudá-lo a “polir a imagem do país e da sua própria perante o mundo”. Entre os flanelinhas contratados para o polimento estão o professor Joseph Nye de Harvard e o professor Anthony Giddens da reincidente London School of Economicsnaugthy boy. Especula-se que a benesse, o capilé, a sinecura, o benefício tenha girado em torno de US$ 250 mil dólares por mês! Nunca antes se pôde repetir tão bem aquele adágio latino terrível, “pecunia non olet”, dinheiro não cheira. Ora, talvez por isso o ex-presidente Lula não tenha ido almoçar com Obama em Brasília. É que nesse zoológico, o Brasil precisa pensar sobre o lugar que lhe é designado versus o que deseja ocupar. Bem ao contrário do Napoleão de opereta da França que foi o primeiro a anunciar a operação “Aurora da Odisséia” - que nome horroroso. Mas aí, subitamente, percebi qual é o papel da França nisso tudo: foi escolher o nome do bebê. Já houve a “Tempestade no Deserto” - isso só aqueles grosseiros ianques do Texas para batizar. Agora não. Os franceses-chanéis, os franceses-sorbonnes não podem se contentar com essa pobreza patronímica. Daí essa brilhante, essa reluzente, essa cheirosa homenagem que Homero fugiria correndo, “Aurora da Odisséia”. Mas foi só aí que eu entendi o orgasmo de Hillary. Odisséia é aquela história sobre o herói que volta para casa. Está escutando isso Bill?

sexta-feira, 11 de março de 2011

NEM DEUS SALVA MAIS A INGLATERRA

“As Forças Especiais - Quando um pastor de cabras consegue parar “Rambo” - O último fiasco dos comandos britânicos”
Fonte: Enrico Franceschini in La Repubblica, 9/3/2011.


James Bond se revirou no túmulo. Shakespeare sorriu. Churchill está tentando sair. Henrique se agarrou de novo com Ana Bolena. A notícia espantosa correu o mundo, mas ganhou na Itália seu epitáfio épico. Um comando com membros das Forças Especiais britânicas, a infalível SAS (Special Air Service), desembarcou no deserto da Líbia para uma operação especial e, pela primeira vez em sua história, não conseguiu fazer nem a operação nem o especial. Falhou. A tempestade no deserto não foi tempestade. Já o deserto...foi deserto. Alguns pastores de cabras, munidos de cajados e outras armas especiais não reveladas – faca e canivete? Camelos? - conseguiram prender a tropa de elite inglesa. Vexame. Caos. Tsunami. E isso logo após a descoberta de que uma das melhores universidades do mundo, a inglesa London School of Economics, com 16 prêmios Nobel nas costas, 37o. lugar no ranking das tops, não só aceitou dinheiro sujo do ditador líbio Muamar Kadafi, como aprovou em seguida, Summa Cum Laude, o doutorado falsificado de seu filho. Terrível. Porém, se a universidade dói, a SAS mata. Apanhar de pastores de cabras definitivamente é o fim. Aguarda-se nas próximas horas a emigração em massa do Velho Continente. 2012 chegou antes do previsto. Perderam, playboys.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

TRÊS PASSOS

Fotografia de Hilary Duffy no Mali, próximo a Timbuktu, durante o Festival au Desert, em 8 de janeiro de 2011 in The New York Times, 27/2/2011.

“Mas quando a senhora se sentou à mesa vizinha, a três passos dele”

Anton Tchekov em A Senhora com o Cachorrinho in Lendo Tchekov de Janet Malcolm. Tradução de Tatiana Belinky, Ediouro, 2005, pp.183.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

ÁFRICA

“Portrait d'une jeune tunisiénne” [Retrato de uma jovem tunisiana] de Lehnert & Landrock, c. 1910.

Ana Serguêievna.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TOBRUK


Um regimento dos granadeiros italianos desembarca em Trípoli entre 10 e 12 de outubro de 1912. Fotografia in La Repubblica, 25/2/11.

Eu sou um Afrika Korps. Estou em Tobruk. Meu sangue alemão dos Schmitz e dos Schwertners ferve, arde, quer vingar meu avô italiano ferido neste deserto, picado por um escorpião feroz. Foi em 1920 quando ele desembarcou na Líbia, transferido para as Tropas Coloniais em Trípoli. Durou 2 anos no deserto inclemente até que um escorpião o picasse. Ele sobreviveu à picada. Eu não. Eu sucumbi, eu padeço, eu grito esta dor. Eu manco. Meu avô derrotado por um escorpião. Inaceitável. Eu embarco agora nos Afrika Korps, eu luto em alemão para vingar os italianos humilhados, os italianos aprisionados. É outra guerra, você já está no Brasil, não importa. Eu viro um rato do deserto, logo eu, um leão, mas eu comando todos os Panzers, eu os faço correr, eu mato, eu venço. Ali onde meu avô sucumbiu, eu conquisto. Ali onde meu avô não foi, eu agora herói, eu Wüstenfuchs, raposa, o marechal de campo, O Libertador, Eu, Erwin Rommel, Führioso. Não haverá mais escorpiões neste deserto vermelho, esburacado, revirado, cemitério a céu aberto. É por você, vovô, é para você. Blitzkrieg. Eu construo falsos tanques com pedaços de árvores e restos de carros, eu, o rei das ilusões, eu ponho os ingleses para correr, amedrontados, despedaçados, ossos espalhados pela areia. Perguntem pelo meu nome em Mersa Brega, em Tripolitania, em Cirenaica, em Benghazi. Perguntem por mim em Bardia, em Salum, em Tobruk. Querido nono, é o que eu te ofereço. Nenhum ferrão irá mais te machucar. Eu, ferreiro, asseguro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

CIFRA

Fotografia AFP/ONG OneDayOnEarth in El País, 24/2/2011. Homens cavam fossas comuns para as vítimas da repressão em Trípoli, na Líbia.

2011/2/20. Morto sem nome. Resta a cifra. Nem rosto, nem filho, nem pai, conhecido nenhum, mãe não vista. Morto sem pranto. Uma cifra inscrita num espelho. É o que furou a pedra. Números. Letras não. Esse Yorick não será mais identificado. Nada além da cifra. 2011/2/20.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

RATOS


Fonte: primeira página da Zero Hora, 23/2/2011.

Depois da saída de George W. Bush da presidência dos Estados Unidos, eu estava com saudade dos grandes filhos da puta. Na categoria dos filhos da puta, há os pequenos filhos da puta e há os grandes filhos da puta. Kadafi pertence a esta divisão. “Capturem os ratos. Tirem-nos de suas casas e acabem com eles, onde quer que estejam”. É a frase do ano. Nunca antes se ouviu coisa parecida. Aliás, relembrando Lacan, quando um ditador começa a falar de ratos, sem querer, está falando de si mesmo - é o que significa receber a própria mensagem de forma invertida. Ora, qual é a maior arma deste pútrida, deste calhorda perigosíssimo? São exatamente esses esfomeados, estropiados, esses fodidos que ele carinhosamente chama de “ratos” - em um outra variante, ele os chama de “agentes do imperialismo ianque”. A Itália e a Europa acompanham em pânico o desfecho desta revolução. Há o pavor de que, como vingança, essa ratazana-mor que se pensa gato abra as comportas para que os “ratos” invadam o continente europeu através da ilha de Lampedusa. Hordas de “ratos”, milhares de “ratos” se espalhando no meio de armanis e pradas, chanéis e mercedinhos, à procura de comida, à procura de abrigo, à procura do paraíso de Dante. Um terror, um pesadelo inimaginável. Ontem o fascista de plantão, Umberto Bossi, uma espécie de Kadafi-dois-ponto-zero, representante de todas as indústrias da parte norte da Itália, a parte “nobre”, cujo único projeto em 63 anos de república foi o de cortar fora a parte “sul” do país, os “miseráveis”, os “vagabundos” do sul, gritava enlouquecido que iria mandar os “ratos” africanos para a Alemanha – que a “sua” Itália não merece isso. Não é banal verificar mais uma vez a falta de memória histórica presente em todo fascista? Como assim a Itália não merece isso? Depois do que a Itália fez na Líbia durante as duas grandes guerras, quando a invadiu, a bombardeou, a sacaneou de todas as formas possíveis, a Líbia invadir a Itália é pouco. Eu torço para que isso aconteça. Que essa Itália fascistinha, que essa Itália narcisista seja arejada pela África, que aconteça com a Itália o que aconteceu com o mundo quando seus miseráveis vieram como imigrantes. Afinal de contas, um país que mantém Silvio Berlusconi no poder pode dizer o que de Kadafi? Nada. Que venham os africanos. É o que de melhor pode acontecer com a Itália.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

ANALISTA

Cabeça de bronze de um oba de Ife, c. 1200. Fotografia de Andrea Jemolo no Museu de Antiguidades de Ife, Nigéria. Com a palavra, Julian Bell: “O oba era um sacerdote-rei na cidade sagrada de Ife, no que é hoje a Iorubalândia. Ele descendia da divindade criadora Oduduwa e teria passado seu reinado no mais recôndito santuário do palácio, longe dos olhos dos mortais comuns. Ife foi o grande centro da metalurgia nigeriana entre os séculos XI e XIV; pouco antes disso, no sudeste, Igbo-Ukwu produzira obras de uma sofisticação técnica sem paralelo na época, em qualquer parte do mundo (...) As culturas do oeste africano tendem a fazer suas imagens em pares. O par desta aqui, a representação externa do rei, não teria sido a da rainha (...), mas um cilindro diminuto e ereto, uma abstração dotada de olhos – a imagem do interior, do homem espiritual.” Fonte: Julian Bell in Uma Nova História da Arte. São Paulo: Martins Fontes, 2008, p. 132.

“TIRÉSIAS:
Teu mal provém de ti, não de Creon.”

Édipo Rei de Sófocles na tradução de Trajano Vieira. São Paulo: Perspectiva, 2001, p. 55.

Há uma bela tradução de Édipo Rei por Paulo Neves para a editora L&PM, porém não é informado se foi feita do grego ou do francês. Neste trecho fica assim:
“Não é Creonte, tu é que te pões a perder.” In Édipo Rei. Porto Alegre: L&PM, 1998, p. 29.

Na tradução do grego feita por Mário da Gama Kury para a Zahar:
“Ele não é a causa de teus muitos males; tu mesmo os chamas sobre ti e mais ninguém.” In A Trilogia Tebana – Édipo Rei, Édipo em Colono, Antígona. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1989, p. 38.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

SIMS

A magnífica bailarina Linda Celeste Sims, pintada no corpo por Dante Baylor e fotografada por Andrew Eccles, em anúncio da temporada de dança da Alvin Ailey in The New Yorker, 20 & 27 de dezembro de 2010 . O pôster maravilhoso desta fotografia é vendido por $15 no site da Alvin Ailey.

Týkhe.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

NADA

Internacional 0 x 2 Kidiaba. Diaba? Hummm.....
Fotografia de Jefferson Bernardes/Preview.com in Jornal do Brasil online, 15 de dezembro de 2010.


E por falar em Congo...sai Sófocles, entra Conrad:
“O horror! O horror!”

Joseph Conrad em O Coração das Trevas. Porto Alegre: L&PM, 2006, p. 141.


Nada vai nos separar in Zero Hora, 15 de dezembro de 2010. Artigo de Tulio Milman e fotografia de Jefferson Botega.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

MENINO

Cela de escravos em Zanzibar, Tanzânia por Eric Lafforgue.

“JOCASTA:
Quanto ao menino, em seu terceiro dia,
Laio amarrou-lhe os pés pelos artelhos,
mandou alguém lançá-lo a um monte virgem.”

Édipo Rei de Sófocles na tradução de Trajano Vieira. São Paulo: Perspectiva, 2001, p. 72.