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terça-feira, 17 de maio de 2011

CAMAREIRA

“Temos que ser gratos a Louis Malle por ter revelado o jeito de andar de Jeanne Moreau em Ascensor para o cadafalso [Ascenseur pour l'Échafaud, 1957]. Sempre fui sensível ao andar das mulheres, bem como ao seu olhar. Em O diário de uma camareira [Le Journal d'une femme de chambre, 1964], durante a cena das botinas, tive verdadeiro prazer ao fazê-la caminhar e ao filmá-la. Seu pé, quando ela anda, treme ligeiramente no calcanhar do calçado. Atriz maravilhosa, eu me contentava em segui-la, apenas corrigindo-a. Ela me ensinou sobre o personagem coisas de que eu não suspeitava.”

Luis Buñuel in Meu Último Suspiro. São Paulo: Cosac Naify, 2009, p. 335.

Diálogo entre o acusado e a juíza:

- Eu vi Jeanne Moreau na camareira.
- Inocente. Não culpado. Estás liberado.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PANAMERICANA

Fonte: fotografia de Kisaí Mendoza in primeira página do El Universal de Caracas, Venezuela, em 26 de janeiro de 2011.

Há uma fractura en la Panamericana. Há uma fenda lá, há uma brecha, há talisca – ai odalisca – na Panamericana. E quem sou aí? Este ônibus, à la kombi da pequena miss Sunshine, pela rodovia? A casa, dependurada, à margem da Panamericana, terceira margem? O morro, eu-morro? Esse Pan, um pão, deus imortal? O passageiro, pés furados, à caminho? A greta, grito, partida estrada, um bom partido? Há uma fratura. Aqui.