terça-feira, 12 de outubro de 2010

DANADA

Nina por Elke Hesser, Paris, 1989.

“– Estou danada, Norminha; não quero pensar, e penso; não quero ver, e vejo; não quero sonhar, e sonho a noite inteira. Tudo contra a minha vontade, contra o meu querer. Meu corpo não me obedece, Norminha, o excomungado.”

Dona Flor a Dona Norma em Dona Flor e seus Dois Maridos de Jorge Amado. Rio de Janeiro: Record, 2001, 52ª. ed., p. 234.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

ÍMÃ

Fotografia de Michelle Brea, Santo Domingo, República Dominicana.

Aquilo que atrai.

domingo, 10 de outubro de 2010

ANDARILHA

No século 18, na corte de Kishangarh, o Rajá Savant Singh se apaixonou pela cantora de sua corte, Bani Thani. O casal foi representado nesta miniatura por Nihal Chand (1710-1782), c. 1760, Rajastão, Índia, onde Savant Singh gentilmente chama Banni Thani de volta para a cama. Fotografia de Barney Burstein/Burstein Collection/CORBIS e pesquisa de Julian Spalding no livro The Rough Guide to the Best Art You’ve Never Seen citado in The Guardian, 7 de outubro de 2010.

“Vou-me,
andarilha de incertas geografias”

Medeia de Eurípedes em tradução de Trajano Vieira para a editora 34, São Paulo, 2010, versos 1.023 e 1.024, p. 119.

sábado, 9 de outubro de 2010

NO MEIO DA MULTIDÃO

Francesca Burns com sandálias Louis Vuitton na Paris Fashion Week. Fotografia de Tommy Ton in Jak & Jil blog, em 7 de outubro de 2010.

Colombina.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

ELEMENTO QUÍMICO


Fotografia de Nauro Júnior em Porto Alegre, na obra “Olhos Atentos” de José Resende, também conhecida como mirante de ferro da Usina do Gasômetro, à beira do rio Guaíba in Zero Hora, 8 de outubro de 2010.

O gigante da beira-rio.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O RETORNO DO RECALCADO


Fonte: Maria Lima in O Globo, 7 de outubro de 2010.

Ele voltou. “Ele já chamou Temer de chefe de um ‘ajuntamento de assaltantes’”. Ele voltou. “Em várias ocasiões, Ciro chamou o PMDB de ‘quadrilha’ e disse que a prática do partido é a da frouxidão moral’”. Ele voltou. O recalcado sempre volta. Enquanto isso, o escondido, o não-revelado, o sombra, a ameaça oculta desta eleição, o sr. Michel Temer, candidato a vice-presidente de Dilma Rousseff, declara: “eu me mantive discreto no momento em que não se exigia muito a minha presença”. Sensacional! Enquanto do lado de lá, se o Serra não estiver mais entre nós, o Índio assume, do lado de cá, se a Dilma não adicionar mais, será Temer o presidente do Brasil. Então, prezado eleitor, Índio ou Temer? Como já dizia aquele alemão no instante supremo da desgraça, “Mehr Licht!”, mais luz, mais Ciro Gomes por favor!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

REUNIÃO

Fonte: fotografia de Gustavo Miranda in O Globo, 6 de outubro de 2010.

Na maravilhosa fotografia de Gustavo Miranda no Globo de hoje, reencontro o ex-governador do Paraná, Roberto Requião. Ele não foi o único sem gravata, sem paletó, havia mais gente lá assim, mas na fotografia Requião não é uma Maria-vai-com-as-outras. Pelo contrário, enquanto uma parte se volta para o espelho-Lula, o espelho-Narciso, o ideal almejado, o ideal perseguido, o ideal a ser alcançado – é claro, Lula foi o grande vitorioso deste primeiro turno, alguém duvida? – Requião olha para o fotógrafo, olha para esse lugar-outro, fora do espelho, fora do lago, mas no tapete vermelho. Aliás, não há ninguém pisando fora do tapete vermelho. É o tapete mágico da política, o tapete dos sonhos, o tapete do poder. Porém, fiquei triste quando vi, no aeroporto de Curitiba, Roberto Requião caminhando para Brasília. O tão poderoso governador do Paraná já não era mais governador, o tapete vermelho já não era tapete, o vermelho já não era muito vermelho. Agora, quanta diferença entre Requião e esse vizinho que me parece ser o senador recém-eleito pelo Ceará, Eunício Oliveira. Há uma abismo aí. E um problema de matemática. Ontem mesmo, a candidata Dilma Roussef disse que ninguém sai, só entra na campanha dela – e falou em adição. Ora, como somar Roberto Requião com Eunício Oliveira? Eu até entendo somar Roberto Requião com Ciro Gomes, que, felizmente, foi chamado para participar da coordenação da campanha de Dilma. Roberto Requião e Ciro Gomes somam, fazem diferença, não são chatos, não são previsíveis, não são vaquinhas de presépio. Agora, os demais aliados, o resto, como realizar uma soma dessas? Coube a Lula fazer isso. E esse foi o maior mérito de seu governo. Conciliar o inconciliável, reunir o não-reunível, transformar diferença em trabalho. Que Dilma não esteja presente nesta fotografia é uma falsa impressão. Dilma está em Lula, condensada, ao modo do sonho, misturada, é ela ali como Lula. Esse, aliás, o maior erro de José Serra no primeiro turno. Uma de suas musiquinhas dizia, “sai o Lula e entra o Zé”. Ora, com Dilma Lula nunca vai sair. Eis aí o inconsciente à mostra em sua frase, não sai ninguém, só entra. Maravilhosa frase que fala de um desejo, fala desse impossível necessário, desse impossível fundamental que é o de tentar o ideal, se aproximar dele, a adição dos contrários, a adição dos diferentes, o que, em suma se chama um país.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

QUEM TEM MEDO DE TIRIRICA?

Fonte: O Globo, 5 de outubro de 2010.

Depois do que os alfabetizados fizeram com a Câmara dos Deputados, o que um suposto analfabeto poderá fazer?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

MEU PARANÁ DE PÉ

Fonte: Fernando de Barros e Silva in Folha de São Paulo, 1º. de outubro de 2010.

Pois é. Xingaram Beto Richa de Mané, de censurador, de playboy, de piá do prédio, de líder obscurantista, atrasado, figura tacanha, de autoritário. E não é que o Mané, o censurador, o playboy, o piá do prédio, o líder obscurantista, a figura tacanha e o autoritário estava certo? Beto Richa não derrotou apenas Lula. Beto Richa derrotou os “espertos”, os “livres”, os “iluminados”, os “democratas” dos “institutos de pesquisas”. Parabéns a Beto Richa. Viva o Paraná.

domingo, 3 de outubro de 2010

DOCE BALANÇO

Stephanie Seymour por Richard Avedon na Egoïste, v. 13, folio 1, abril de 1995, no editorial La Pasante du Siecle [“A Passante do Século”], parte La belle époque – bustier: Pearl, chapéu: Philip Treacy, jóias: Lydia Courteille, luvas: Yves Saint Laurent; editora de moda: Nicoletta Santoro, assistente: Philippa Duck, cabelo: Yannick d’Is, maquiagem: Séphane Marais, Thierry Mauduit e François Nars, consultora de história: Katell Le Bourris, assistentes: Olivier Saillard e Pamela Golbin - “La mode n’est pas le reflet périssable de l´élégance, ele est l’éclat rythmé du temps” [“A moda não é o reflexo passageiro da elegância, mas sim o inesquecível ritmo do tempo”].

Gradiva.

sábado, 2 de outubro de 2010

TRIBUTO A SIGMUND FREUD

Da maravilhosa fotografia de Fred R. Conrad sobre a magnífica exposição “Abstract Expressionist New York” no MoMA de Nova Iorque, publicada na reportagem de Roberta Smith no The New York Times de ontem, digo: enquanto o Eu, à esquerda, contempla-se na obra de Lee Krasner, “Untitled” (1949), o Isso, ao fundo, na sala central, mistura-se com “One: Number 31, 1950” de Jackson Pollock, enquanto o Supereu, de perfil, observa outra obra, tendo ao fundo, à direita, “Painting” de Willem de Kooning (1948). Nas palavras de Freud:

“Não devem imaginar essa divisão da personalidade em um Eu, um Supereu e um Isso, separados por fronteiras nítidas, como aquelas que se traçaram artificialmente na geografia política. Não podemos fazer justiça à peculiaridade do psíquico mediante esquemas lineares como no desenho ou na pintura primitiva; mas de preferência mediante campos coloridos que se perdem uns nos outros, segundo fazem os pintores modernos.”

Sigmund Freud, “A Divisão da Personalidade Psíquica” na Conferência 31 das “Novas Conferências de Introdução à Psicanálise” (1933) in Obras Completas, v. XXII, editora Amorrortu, Argentina, 1989, p.74.

Observação sobre a tradução brasileira: há uma boa tradução deste texto pela falecida Editora Delta, no v. XVII de suas Obras Completas – que não são completas. Esta tradução foi feita da edição espanhola da editora Biblioteca Nueva, sem dar este crédito, dando a impressão falsa ao leitor de ter sido realizada diretamente do alemão. Não é verdade. Porém, a outra edição em português é a da editora Imago, uma tradução tão ruim que não merece sequer menção. Aguardemos que a brava editora L&PM de Porto Alegre consiga fazer, através do belíssimo trabalho do sr. Renato Zwick - já nas bancas o imprescindível “O Mal-Estar na Cultura” e o indispensável “O Futuro de uma Ilusão” – , o que nenhuma outra editora brasileira até agora conseguiu – sequer a riquíssima Cia. das Letras com a paupérrima tradução do sr. Paulo “Instinto” César de Souza, mais um assassino de Freud no Brasil – aliás, diga-se deste tradutor que, em seu livro “As Palavras de Freud” (Cia. das Letras, 2010), após fazer uma crítica excelente sobre as traduções inglesa e francesa da obra de Freud, ele dedica um capítulo inteiro (pp. 250-269) para justificar o injustificável, ou seja, o seu crime de traduzir
“Trieb” por “instinto”. Quando um tradutor quer “melhorar” o original, só pode dar merda. Deu. Se Freud quisesse que “Trieb” fosse instinto, assim teria escrito em alemão. Sobre isso, ver a excelente análise do sr. Luiz Alberto Hanns na introdução que fez no primeiro volume da nova tradução das Obras de Freud pela fatídica Imago – que, aliás, não perdeu o bonde e enterrou o trabalho de Hanns com uma edição horrível das notas que ficaram ilegíveis no final do texto, terrível. Pois bem, Hanns assim justifica a sua escolha como tradutor: “O termo “instinto” não foi adotado nesta tradução por ser mais estreito que Trieb e levar a uma compreensão mais desligada dos aspectos volitivos e representacionais também presentes em Trieb e fundamentais para uma compreensão psicodinâmica e metapsicológica do inconsciente. Por esse motivo a escolha recaiu sobre um neologismo oriundo do francês e já usual na psicanálise brasileira, “pulsão”, que, apesar de menos compreensível do que “instinto”, tem a vantagem de remeter foneticamente a algo que “pulsa” e a “impulsão”” (fonte: Obras Psicológicas de Sigmund Freud, v. I, ed. Imago, 2004, p. 144, nova tradução de Luiz Alberto Hanns). Ressalve-se aqui que Renato Zwick foi por um terceiro caminho, e declarou: “No entanto, entre a Cila de um termo impreciso (instinct – e, por extensão, instinto), e o Caríbdis de um horríssono neologismo, acreditamos que haja uma terceira possibilidade, que consiste simplesmente em atentar para os sentidos do termo alemão e buscar o seu equivalente em nosso idioma. Por essa razão, propomos a tradução de Trieb por “impulso”.” (fonte: posfácio de Renato Zwick in O Mal-Estar na Cultura, ed. L&PM, 2010, pp. 190-191). Parabéns a Luiz Alberto Hanns e a Renato Zwick. Com vocês, há Freud em português.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

VIDA

Drew Barrymore por Mark Seliger in Harper’s Bazaar US, outubro de 2010. Editora de moda, Katie Mossman.

“Isso é a vida
É a vida assim.”
De Dominguinhos e Gilberto Gil in “Abri a porta”.