sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O MINISTÉRIO DA VERDADE DECRETA


“A Escola de Putin – Moscou cancela Tolstói: agora se estudam os patriotas – O governo anuncia a decisão de diminuir pela metade as matérias do ciclo superior. A literatura não será mais obrigatória. Porém, será necessário conhecer qual é o papel da “Rússia no mundo”. Há quem tema o pior.”
Fonte: Nicola Lombardozzi e fotografia de Luz Photo in La Repubblica, 28 de janeiro de 2011.


Sai Tolstói. Não há mais lugar para Tolstói. Demita-se Tolstói. Esqueça-se Tolstói. Tolstói nunca existiu. Guerra é Paz.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

PANAMERICANA

Fonte: fotografia de Kisaí Mendoza in primeira página do El Universal de Caracas, Venezuela, em 26 de janeiro de 2011.

Há uma fractura en la Panamericana. Há uma fenda lá, há uma brecha, há talisca – ai odalisca – na Panamericana. E quem sou aí? Este ônibus, à la kombi da pequena miss Sunshine, pela rodovia? A casa, dependurada, à margem da Panamericana, terceira margem? O morro, eu-morro? Esse Pan, um pão, deus imortal? O passageiro, pés furados, à caminho? A greta, grito, partida estrada, um bom partido? Há uma fratura. Aqui.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CONTRA O TERROR




O indispensável The New York Times fez algo genial. Ele comparou 75 anos de discursos sobre o estado da União, dos governos Roosevelt, Truman, Eisenhower, Kennedy, Johnson, Nixon, Ford, Carter, Reagan, Bush Pai, Clinton, Bush Filho até Barack Obama. Trata-se de um evento anual, em que o presidente da república se dirige ao Congresso – senadores e deputados – para prestar contas e anunciar o futuro. Ontem foi a vez de Barack Obama, a terceira em seu governo. E aí, pegando apenas as palavras “terror” e “inovação”, se percebe a imensa, a descomunal diferença entre o desgoverno anterior, de Bush Filho, com Barack Obama. Enquanto Bush fez um governo do terror pelo terror para o terror, um horror, Barack Obama deseja a invenção. Sensacional! Epifânico!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

O CAPITALISMO EM QUESTÃO

Fonte: Daniel Rittner in Valor, 24 de janeiro de 2011.

Daniel Rittner trouxe ontem no Valor um debate formidável: o Estado pode abrir mão do dever constitucional de proteger a saúde dos cidadãos para respeitar direitos legítimos de investidores estrangeiros? Coube a um médico, então na presidência da república, o sr. Tabaré Vásquez, responder não. Chega. Há limites para o capitalismo. Não há indústria-símbolo do capitalismo melhor que as fabricantes de cigarros. Só outra é comparável, a farmacêutica. O que produz uma indústria de cigarros? Ela produz, como todas as indústrias, fantasia. Que essa fantasia seja perigosa, seja nociva, seja viciante, enfim, é o que vai diferenciá-la de outras indústrias. Ora, para o capitalismo, e eis aí sua imensa força, as fantasias existem e muitas vezes, como nesse caso, contrariam o bom senso de qualquer cientista: como é que pode alguém querer se fazer mal? Coube a Freud responder essa questão: o ser humano é aquele que está bem no mal. Ele vai em busca de se ferir, de se sacanear, de se machucar – na maior parte das vezes querendo fazer exatamente o contrário disso, ou seja, querendo o bem, querendo o melhor. O problema, diz o doutor Tabaré Vásquez, é que esse tipo de indústria não se contenta em produzir o mal. Ela quer vender isso como se fosse o bem, quer anunciar isso na televisão como chicle, balinha, bombom, com camelinhos e borboletas esvoaçantes. Daí sua decisão: vai vender tendo no rótulo a palavra merda, a palavra veneno – e coube a este médico acabar com a farra das embalagens e dos anúncios mágicos dos cigarros no Uruguai. Sobre esse debate, o filme “O Informante” [The Insider, 1999] do diretor Michael Mann é bastante esclarecedor. Uma indústria que divulga falsas pesquisas como verdadeiras, uma indústria que compra cientistas e universidades, uma indústria que mente, que sabota, que sacaneia seus consumidores, essa indústria merece existir? É curioso que, se a resposta for não, acaba o capitalismo – vai ser difícil encontrar uma empresa fora dessa lista. Então, todo o problema do Estado é como permitir uma fábrica de drogas sem que esse empreendimento consiga atingir seu objetivo, que é viciar toda a população de um país. O Uruguai deu o exemplo: quer existir por aqui, então será desse jeito – e não de qualquer jeito como quer a indústria. Bravo Uruguai! Por outro lado, que o Estado me diga que isso faz mal, que a mensagem do fabricante é mentirosa, tudo bem. Agora, o Estado querer me impedir de comprar, querer me impedir de fazer uma escolha, aí caímos no totalitarismo. Eu não sei se a Philipp Morris tem razão em sua disputa. Mas é também uma das maiores qualidades do capitalismo o fato de uma empresa dessas poder duvidar das intenções do Estado. E isso é ótimo. Que o cigarro causa dependência e causa câncer, é sabido. Agora, que um Estado-Papai, que quer me tratar como criancinha de berço para o resto da vida também causa dependência e também causa câncer, é preciso saber disso também. Aqui, recomendo “1984” de George Orwell, também levado ao cinema em um filme atordoante do diretor Michael Radford, com a trilha sonora espetacular do Eurythmics.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

ENQUANTO ISSO EM JURERÊ...


Fotografia de Ricardo Duarte in Zero Hora, 23 de janeiro de 2011.

...jururu.