
“No salão Johnny&Gino, situado na rua Hanover [no bairro North End, em Boston], Johnny “Sapato” Cammarata dá os últimos retoques no corte do cabelo de Rico Federico. “Eu nasci aqui”, comenta Johnny com o carregado sotaque bostoniano, “mas em casa tinha de falar siciliano se quisesse comer” (…) Por que um barbeiro tem o apelido de Sapato? Porque seu pai era sapateiro, claro. “Toda a nossa família tinha esse apelido: Joe Sapato, Frankie Sapato”, explica. Enquanto fala, maneja a tesoura. “Meu irmão Joe estava na classe para alunos especiais. Meu pai sempre lhe dizia: 'Joe, eu me orgulho de você, está na classe especial'. Eu me arrebentava de rir. E Joe me ameaçava: 'se contar a ele, mato você'. Mal sabia meu pai que ele estava na classe dos alunos problemáticos...” A disciplina paterna? Rápida e precisa. “Meu pai me batia na cabeça com o martelo”, revela Johnny. “Ainda bem que era sapateiro e não açougueiro! Eu tinha de limpar a oficina. “Tudo bem, já vou”. E não ia. Pá! Martelada na cabeça. “Agora vá procurar seu tio”. Meu tio era barbeiro. Ele cortava um limão e o espremia sobre minha cabeça. Não sei como sobrevivi...Eu adorava meu pai.”
Fonte: Erla Zwingli in Grande Famiglia di Boston, na National Geographic Brasil, outubro de 2000.
Texto maravilhoso. E a gente se pergunta como Joe: não sei como sobrevivi.
ResponderExcluirQuerida Marta, eu gosto de pensar no avesso: foi justamente por causa disso que a vida floresceu. Ele era alguém para o pai. O problema está quando se é ninguém. Um grande abraço.
ResponderExcluirLegal! Pensar no avesso da coisa faz a beleza aparecer.
ResponderExcluirabraços